Uma vez me disseram que os quadrinhos, assim como quase tudo na vida, funcionam à base de ciclos. Por um tempo determinada abordagem funciona, mas é preciso sempre mudar, renovar. Afinal, estamos falando de alguns personagens com mais de 50 anos de vida.

E nessas de renovar, trazer outros elementos para os heróis, acontecem as famosas cagadas. Dá pra citar um sem-número de merdas que as editoras fazem com nossos queridos personagens, é só a gente se lembrar por exemplo da Saga do Clone em Homem-Aranha, ou as várias crises nas mais infinitas terras do Universo DC.

Criou-se uma mecânica conveniente, onde as editoras botam suas equipes criativas pra fazer qualquer merda e quando caem as vendas, pimba, anuncia-se um reboot, com mudanças impactantes na vida dos nossos heróis, decisões ~ousadas~ que redefinem os status quo, pelo menos até o próximo reboot. E não me entenda mal, as vezes dar um reset para incorporar novos conceitos, atualizar heróis que já tem mais de 50 anos é bom, tudo bem. Ninguém aqui é fechado para mudanças. O problema é que as editoras usam isso como uma muleta safada. Eles fazem um reboot, já pensando no próximo. E como a gente já discutiu aqui e aqui, essa é uma das causas da crise na indústria de quadrinhos.

A DC Comics espertamente saiu na frente. Depois de rebootar o seu universo e lançar os Novos 52, ela decidiu que era hora de mandar o dedo no botão de power novamente e lançou o Rebirth, que é um reboot que aconteceu nos EUA durante o ano passado e tá chegando por aqui só agora, que tem uma vibe meio “de volta as origens”. E parece estar funcionando, já que o Rebirth foi responsável por tirar a Marvel da liderança nas vendas. Claro que os executivos aproveitaram a deixa e também vão começar o movimento de voltar ao básico e anunciaram que após o fim do último crossover da editora, Secret Empire, lá pra setembro/outubro nos EUA, teremos o Marvel Legacy.

Mas a Marvel não tinha prometido parar com as maxi-sagas?

Sim, tinha prometido sim. Mas veja, tecnicamente não é uma maxi-saga, como será Secret Empire. Na verdade a Marvel também está com o dedo prontinho pra apertar o reset e vai seguir o mesmo caminho da DC, essa volta as origens. No verão americano (julho) teremos a série Generations, que será lançada justamente para homenagear os heróis em suas versões clássicas e após isso começa essa nova, digamos, iniciativa para trazer de volta para o centro das atenções as versões originais dos seus heróis mais icônicos e populares em histórias totalmente novas, retomando até mesmo a numeração original antes do reboot anterior, que foi o All New Marvel, ou qualquer coisa assim.

Os detalhes foram anunciados durante a C2E2 (Chicago Comic & Entertainment Expo) Marvel Legacy começa no outono americano (como eu disse antes, Setembro/Outubro) com Marvel Legacy #1, uma história de 50 páginas escrita por Jason Aaron (Doutor Estranho e Star Wars) e ilustrada por Esad Ribic (Gamora, Guerras Secretas 2). Essa história servirá para estabelecer o status para o novo capítulo no Universo Marvel, que vai deixar a política de lado e vai focar na esperança heroísmo, aspectos positivos, para inspirar os leitores.

Segundo Joe Quesada, Chief Creative Officer da Marvel “A iniciativa Marvel Legacy é a celebração de tudo que faz a Marvel a melhor editora de quadrinhos e significa uma nova era para a Marvel Comics. É uma volta às origens, as raízes e um movimento entusiástico para frente, com todos os personagens que vocês conhecem e amam, estrelando as maiores, mais ousadas e melhores histórias Marvel. Tudo começa em Marvel Legacy Special.” Quesada até fez uma arte de capa especial para essa edição:

Essa edição especial, além dessa capa em quatro partes ainda é, segundo Quesada “o ponto de entrada perfeito para todos os leitores.” Após o lançamento, um selo Legacy estará em todas as capas das novas edições e das que já estão em andamento. Ou seja, a Marvel vai trazer as versões clássicas dos heróis de volta, mas não vai matar as novas. Portanto, não precisa se preocupar porque personagens como Garota-Esquilo, Miles Morales, Capitã Marvel, America Chavez, Deadpool, Iron Heart, a Thor Jane Foster, vão continuar por aí sim. A Marvel não pretende desistir das novas versões de heróis e está planejando trazer outros elementos fora das histórias que remetem a dias mais gloriosos, como o selinho que vinha com as cabeças dos personagens e a volta da revista-fanzine FOOM, como foi dos anos 60 até os 90.

Todos os heróis clássicos vão voltar

Essa é a pergunta de um milhão de dólares queridos. Apesar de não anunciar qual, ou quais personagens vão fazer um retorno triunfante, acho que podemos apostar que talvez seja o Quarteto Fantástico, que está sumido há dois anos, sem um título próprio e é o pai de todos os quadrinhos Marvel, já que foi o primeiro super-grupo, que abriu espaço para o resto dos heróis.

São vários os motivos que derrubaram o Quarteto e fizeram com que a Marvel os colocasse para escanteio. A principal certamente é para dar aquela ferrada na Twentieth Century Fox, que possui os direitos dos filmes. Pra que ficar fazendo propaganda gratuita para o inimigo, não é mesmo? É por isso que eles foram diminuindo, até eventualmente acabar com o Quarteto Fantástico nas HQs. E o mesmo valeu para os X-Men, que tiveram a sua importância significantemente diminuída, inclusive até com a morte de três dos mais importantes mutantes: Wolverine, Ciclope e Jean Grey, que permanecem na terra do pé junto até o momento.

Claro que tem outros heróis que podem voltar para as suas versões originais, incluindo aí Capitão América, Tony Stark e Thor, que por enquanto é só Odinson, já que Jane Foster é a portadora do martelo. Opções não faltam, mas já que o assunto é voltar ao básico, às origens, acho que não tem hora melhor para a Marvel trazer de volta a primeira família né?

 

Mas e vocês amiguinhos, o que acham desse reboot? Empolgados para ver alguns dos nossos heróis preferidos em toda sua glória novamente? Quais edições vocês gostariam de ver? Deixa aí nos comentários.

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