O arquétipo do mestre zen. O ser que é pequeno, fisicamente frágil, mas muito sábio. Um gigante. A presença de Yoda define sob muitos aspectos toda a saga Star Wars, desde a sua introdução em O Império Contra-Ataca, até o seu papel como grão mestre da Ordem Jedi na trilogia prequel.

Como personagem, por si só era um grande risco. A produção de Episódio V foi por vezes conturbada e caótica e Yoda certamente foi um dos maiores saltos rumo ao desconhecido que a equipe poderia tomar. Um personagem com toda a importância que ele tem para a formação do personagem de Luke Skywalker, sendo não só um alienígena exótico, como confiado nas mãos da equipe de animadores de bonecos, poderia ter sido uma catástrofe para George Lucas e o diretor Irvin Kershner.

Para a sorte deles (e a nossa), tudo deu perfeitamente bem e Yoda se tornou um dos personagens mais amados do Universo Star Wars e sinônimo de Mestre, um dos mais sábios e poderosos Jedi da galáxia, humilde, apesar de muito poderoso quando necessário, deixou um legado e uma referência para todos os personagens da cultura pop que seguiram. E hoje nós vamos contar 10 fatos que talvez vocês não saibam sobre o grande mestre:

Antes de começar, a maior lição do maior mestre:

10 – Frank Oz a interpretar o papel, único não foi

Ao menos na dramatização em áudio, que foi ao ar no rádio, na época do lançamento do filme. O papel coube ao ator John Lithgow, da série Third Rock From The Sun e alguns outros filmes, como Cliffhanger, onde ele era o vilão e Sylvester Stallone o herói, claro.

O ator estava almoçando com John Madden, que foi escalado para dirigir a adaptação do audio-drama de O Império Contra-Ataca. Vários atores toparam reprisar o papel, mas Frank Oz não. Enquanto o diretor lamentava o fato, Lithgow fez uma imitação perfeita de Yoda e garfou o papel.

Detalhe: Mark Hamill estava de olho no papel e gostaria de ter feito Yoda na versão para o rádio e diz Lithgow que ele não curtiu muito quando descobriu que tinham escolhido outro cara para o papel.

9 – Yoda = Mestre Irvin Kershner

Irvin Kershner foi o diretor de Episódio V, enquanto George Lucas estava desesperadamente correndo atrás de dinheiro para financiar o filme. Kershner não era exatamente a pessoa mais zen do set e isso acabou sendo refletido na personalidade de Yoda.

Frank Oz, animador e a voz de Yoda, perguntou ao diretor como ele deveria movimentar Yoda e fazer ele se portar enquanto ainda não tinha se revelado como o Mestre para Luke. Até então era só um alien pequeno, verde, estranho e maluco. E foi na hora em que Yoda acerta R2-D2 com a bengala que Oz percebeu que bastava interpretar Yoda como um mini Kershner verde e alienígena que tudo ia dar certo. O resto a gente viu na tela e vê até hoje, gravado na cultura pop como um todo.

8 – Quase um Muppet Yoda foi. Literalmente

Portrait of American film & televison director and puppeteer Jim Henson (1936 – 1990) as he holds muppet Kermit the Frog, late 1970s or early 1980s. (Photo by Bernard Gotfryd/Getty Images)

E o que é um Muppet, senão aqueles adoráveis monstrinhos saídos da cabeça da lenda, Jim Henson? Pois foi exatamente quem George Lucas procurou com os primeiros conceitos de Yoda, ainda durante a pré-produção do filme. Henson acabou recusando por que estava ocupado produzindo um filme dos Muppets, mas um dos seus colegas, Frank Oz, topou participar.

Frank Oz foi o animador principal e a voz de Yoda nos filmes. Ele ajudou a criar aquele timbre de voz tão característico, rouco, meio velho, mas ao mesmo tempo suave. Sei lá, a voz do Yoda é bem característica, isso pra não falar do sotaque. Se bem que olha, no currículo de vozes do Frank Oz temos a Miss Piggy, Cookie Monster e o Urso Fozzie. Se isso não é ser um Muppet, eu não sei o que é!

7 – Sua espécie nunca revelada foi

Esse é certamente um dos maiores mistérios do Universo Star Wars. Inclusive eu chuto que seja um dos Top 5 mistérios de Star Wars. Durante um período acharam que pudesse ser algo a ver com a palavra Whill, mas George Lucas desmentiu, explicando que Whills é um termo para a Força ou usuários dela nas primeiras versões do roteiro. Depois foi canonizada como uma ordem antiga e profundamente envolvida com a Força, sendo responsável por guardar as crônicas da galáxia.

E não, não adianta olhar em lugar nenhum. Nenhum material terá qualquer informação sobre a raça de Yoda ou o planeta de origem. Nem nos RPGs. A única indicação de que ele não é o único da sua espécie vem de Episódio I – A Ameaça Fantasma, onde vemos a criatura conhecida como Yaddle, que parece uma versão mais jovem de Yoda e também é uma membro do conselho. Tudo leva a crer que é um espécime feminino da mesma raça, mas como ela morre logo depois do filme em um dos livros do UE, acabando com qualquer possibilidade de saber mais sobre ela.

6 – Trabalhar com ele muito difícil foi

Com todas as peculiaridades do personagem, trabalhar com um boneco como esse, trouxe todo um conjunto de problemas e desafios, ou se você preferir, era horrivelmente trabalhoso e todos odiavam. Foi preciso construir um cenário elevado para os animadores poderem se movimentar por baixo, e claro, isso era tudo, menos confortável. Até Mark Hamill teve alguns problemas por que toda a cena tinha que ser baseada no boneco. Ele não poderia parecer bobo, passando noções tão importantes de espiritualidade e conhecimento.

As falas eram repassadas para Hamill via rádio, e o ponto ficava escondido pelo cabelo de Luke. Mas o plano não deu muito certo, já que o microfone captava outras frequências e começava a pegar rádios locais, deixando o ator órfão de pai e mãe na cena. Simplesmente um pesadelo. Como se não fosse suficiente, todos esses problemas com Yoda inflaram o orçamento. Lucas teve que apostar mais uma vez e confiar no dinheiro que entrava dos licenciamentos de brinquedos.

5 – Do universo expandido, vítima ele foi

Com os licenciamentos, o Universo Expandido meio que manteve a chama acesa por vários anos. Senão Star Wars invariavelmente teria rumado para o poço de Sarlacc chamado ostracismo. Uma imensidão de livros, jogos, audio-dramas, quadrinhos e todo tipo de material que você conseguir pensar fez parte do UE. Muita coisa boa, mas muita coisa muito ruim foi lançada aí nesse intervalo de tempo. Quando a Disney descontinou o UE e transformou em Legends, tudo que poderia estar no caminho para o desenvolvimento de novas histórias viraram, nas palavras da Disney, “histórias que podem ter acontecido em uma galáxia muito distante. Ou não.” Claro, afinal como acomodar tudo que eles tem planejado sem dar conflitos de informação e furos de roteiro? Por mais que isso irrite alguns fãs mais xiitas, temos que admitir, muita coisa é tranquilamente dispensável.

Claro que com tanto material, Yoda não passou ileso. E para um exílio, em um planeta perdido e afastado, pipocaram Jedi, Sith, caçadores de recompensa e tudo mais que você puder imaginar em Dagobah. Pensando que ele estava em um exílio, isso não faz o menor sentido. Até o Vader colocou uma recompensa por Yoda. Ainda bem que a Disney descontinuou isso tudo.

4 – Sem CGI, sem Lightsaber

Talvez o maior, ou um dos maiores choques das prequels é constatar que Yoda, além de um mestre sábio, além de meros mortais, era um lutador fudido. Por mais que olhando em retrospecto, isso dê uma zoada no arquétipo do personagem, foi inesperado e diferente, pra dizer o mínimo. Fora que a técnica dele é BEM diferente, com saltos, rodopios, ataques rápidos. Imagina o inferno que é lutar contra um anão verde e acrobata?

Em Episódio I, Yoda começou a ser desenvolvido em CGI, mas estava muito ruim. Então Lucas voltou ao boneco. Mas Yoda só luta contra Dooku em Episódio II por que era impossível que o boneco segurasse qualquer objeto e ficasse real. Isso inclui sabres de luz. Quando foi possível modelar e animar um Yoda completamente em CGI, aí sim finalmente vimos o mestre em ação. Um pouco frenético demais pro meu gosto, mas ainda sim, ação.

3 – Um Oscar ele quase faturou

Muito antes do Andy Serkis levantar a polêmica de capturar movimentos de personagens 100% digitais conta pra ser ator e qual é o limite da atuação e essas bobeiras que vieram à tona quando ele interpretou o Gollum, Yoda já causou a mesma discussão entre os membros da Academia.

Yoda foi tão bem, tanto com a audiência como com os críticos, que o Oscar virou uma possibilidade real. O problema é que Yoda não é um ator, é um Mestre Jedi. Frank Oz, também não é ator se a gente for ver bem, independentemente da sua performance incrível. George Lucas até tentou fazer campanha pessoalmente, mas no fim foi decidido que Frank Oz animar e dar a voz ao personagem, não eram uma performance de ator (bullshit) e Mestres Jedi aparentemente não podem ganhar Oscars.

2 – Outros nomes ele teve

George Lucas já deixou claro que o primeiro nome de Yoda é, e sempre foi intencionalmente, um mistério (mais um) que circunda o pequeno mestre, mas nem sempre foi assim. Inicialmente a ideia de Lucas era de nomeá-lo como Buffy (George Lucas sempre no limite de fazer merda, veja você). Depois nas primeiras versões de roteiro, Luke encontrava com um ser chamado Minch, passando depois pra Minch Yoda. No roteiro final, Graças à Força acabou ficando só Yoda. Agora, se ele tem um primeiro nome ou não, fica na conta do mistério. Ninguém nunca confirmou.

A Dark Horse publicou um quadrinho na série Star Wars Tales, sobre um personagem, chamado Minch, parecido pra caramba e que igualzinho a Yoda falava, da mesma espécie era e acabou indo parar em Dagobah, mas é um personagem completamente diferente. E claro, pode ficar tranquilo, que agora é Legends.

1 – Bem diferente, o mestre seria

Por mais que Yoda seja um personagem icônico da cultura pop, é muito difícil imaginar outro mentor para Luke. No entanto, a aparência final de Yoda foi resultado de muitas e muitas revisões antes de chegar ao que temos hoje, incluindo umas bem estranhas.

O Artista conceitual Ralph McQuarrie, que desenvolveu muitos dos ícones de Star Wars, criou o primeiro conceito de Yoda, quase como um anãozinho de jardim e não como o monge/feiticeiro alienígena. Outra versão, criada por Joe Johnson trazia uma criatura que lembrava muito um sapo azul. Depois de muito Brainstorm, chegou-se ao tom verde da sua pele, sendo que do conceito inicial, só sobraram a altura e as orelhas pontudas.

Mas ele nem sempre foi um boneco. Testes iniciais, influenciados pelas cenas com macacos em 2001: Uma Odisséia no Espaço, envolviam colocar macacos com os trajes de Yoda e condicioná-los a se mover em determinadas deixas. Claro que é uma ideia merda e não rolou, então George Lucas foi atrás de Jim Henson em seu estúdio e graças à Força mais uma vez, tudo deu certo e nosso mestre tá aí.

 

E aí? Você conhecia essas curiosidades do Yoda? Esqueci de alguma? Quer escolher quem é o próximo personagem que a gente pode falar? Conta aí nos comentários. Don’t be shy!

Deixe uma resposta