O começo é clássico: sintetizadores que lembram as trilhas sonoras de filmes de ficção científica dos anos 80, um corredor escuro, luzes se apagando e alguém correndo de alguma coisa. Parece clichê, mas é Stranger Things, a modinha que, querendo ou não, vai te virar de ponta-cabeça. E sim, amigas e amigos, vocês também ficarão se perguntando WTF IS GOING ON?

 
(Você tem visto essa imagem no seu Facebook ultimamente?)

Upside down

A série é uma grande aventura que transita pela ficção científica com pitadas de suspense, mas também demonstra as relações humanas como poucas, nos apresentando, literalmente, um mundo invertido que não estamos acostumados a ver: em Stranger Things, os personagens principais não são os bonitões populares e sim crianças consideradas “esquisitas” pelo senso comum e que sofrem bullying na escola. Os maricas, bichas, fracotes. São eles que fazem a série ter um carisma tão grande e são pra eles que torcemos e vibramos. Acho que pelo bullying ser um tema tão forte e atingir tanta gente na vida real que nos identificamos com essas crianças que estão conquistando cada vez mais multidões.

Eu particularmente tenho um certo preconceito com a atuação de crianças em filmes e novelas brasileiras. Atuar exige uma profundidade e maturidade que muitas vezes é difícil de enxergar nos pequenos quando eles aparecem nas telinhas. Mas confesso que a garotada está dando um show lá fora!

Os núcleos e suas cascatas de representação

Além das crianças, Winona Ryder está melhor do que nunca no papel de Joyce Byers, mãe de Will Byers, o garoto desaparecido. Esqueçam as polêmicas cleptomaníacas da atriz e concentrem-se no amor de Joyce pelo filho: aquele amor que nunca desiste e ultrapassa até mesmo os planos existenciais, um sentimento desesperado e à beira de um colapso, porém latente como nenhum outro. Um brinde à Ryder!

O núcleo teen da série tinha tudo pra dar errado, mas não deu. Saindo do clichê de jovens embriagados aproveitando a vida, as cenas de Jonathan e Nancy são surpreendentes e tensas. Bem tensas.


(Eu shipo os dois MESMO!)

Mas afinal, que P$%# está acontecendo na pacata cidade de Hawkins?

O enredo se passa em 1983 e nos apresenta um grupo de amigos que vivem suas vidas comuns e que gostam de jogar um bom Dungeons & Dragons pra passar umas 10 horas o tempo. Tudo estava bem até que um dos garotos desaparece sem deixar vestígios depois de uma dessas sabatinas e é aí que a história começa a se desdobrar.

Paralelamente ao desaparecimento, somos apresentados à Eleven, uma menina misteriosa (e peculiar) que “aparece” na cidade e não é de conversar muito. O ponto mais legal na história da El é seu redescobrimento do mundo, da amizade e do amor. Mas o que ela tem de tão especial? Você precisa assistir pra entender. :)

Trilhas sonoras

Musicalmente, a trilha de Stranger Things é incrível e abrange tantos clássicos que traz muita nostalgia pra turma que passou a juventude nos anos 80, de Should I Stay or Should I Go (The Clash) até I Melt With You (Modern English) que inclusive possui uma versão ótima da cantora Natalie Imbruglia, sem contar a trilha ambiente que gera arrepios e expectativa ao mesmo tempo. O Netflix criou uma playlist oficial da série no Spotify que vale a pena conferir:

E as referências?

Pra quem ainda não viu a série, não serei o estraga-prazeres que sai contando tudo, mas vou adiantar algumas referências pra vocês sentirem o drama: são várias as cenas que lembramos de ET – O Extraterrestre (1982) e Alien (1979). Outros filmes que possuem suas homenagens na série são Carrie (1976), O Iluminado (1980) e Os Goonies (1985). Eu também achei que a série apresenta pitacos de Jumanji (1995) e O Labirinto do Fauno (2006).

Porém, a maior referência que encontrei foi do game Silent Hill (1999). A franquia de horror lançada inicialmente para PS1 tem suas semelhanças com a série, de verdade. Até mesmo o enredo do primeiro game, do protagonista Harry que perde sua filha Cheryl em um acidente de carro e vai parar na sinistra cidade de Silent Hill, correndo para todos os lados para encontrá-la, assim como Ryder na busca pelo filho. Ou no segundo game, que somos confrontados contra Pyramid Head no mundo paralelo. Seria uma referência ao Demogorgon?

E você, ficou com vontade de assistir a série? Comente com a gente o que achou dessas referências e quais outras encontrou.

Abrace a modinha e venha para o lado invertido da força, caro weirdo!

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