Bom, sim. Essa é a resposta para o título. É isso aí. Brigado por virem até aqui, beijos e falou…

Mentira, óbvio que vou explicar meu ponto. Então se prepara, pega a pipoca e senta que lá vem história (ou textão). Do meu ponto de vista a série Punho de Ferro, da Netflix, tem dois grandes problemas: 1) o hype criado em cima dela e b) o roteiro meia boca que inventaram pra história. Sobre o hype vou falar rapidinho porque não precisa explicar muito sobre – sendo a última série lançada que coloca um dos personagens principais dos Defensores (também conhecidos como Os-Vingadores-Que-Jogam-Sujo ou Os-Vingadores-Baixo-Orçamento ou Os-Vingadores-Sem-O-Downey-Jr) no universo da Marvel-Netflix, a série trazia uma bagagem gigantesca de hype, criado desde o lançamento da primeira temporada de Demolidor. Com a qualidade das séries marvel-netflixianas lá em cima, todo mundo esperava que o Punho de Ferro viesse pra fechar com chave de ouro. Só que não foi bem o que aconteceu (mas chegaremos lá).

O segundo problema da série é o roteiro. Com um problema seríssimo de roteiro, Punho de Ferro quebrou a cara de muita gente (entendeu? entendeu? hahaha), mas foi de decepção mesmo. Resumindo: a série conta a história de Danny Rand, um moleque rico e chorão de 10 anos que numa viagem de avião com os pais, acaba caindo no meio do Himalaia. Seus pais morrem etc etc e ele só sobrevive porque é encontrado por monges e levado pra K’un-Lun onde passa 15 anos treinando com monges lutadores até ganhar o título de Punho de Ferro. Agora, eu só li um quadrinho do Imortal Punho de Ferro na vida, então não sou exatamente fã, mas esperava muito mais da série, tanto que em alguns pontos me perguntava que diabos os roteiristas tinham fumado pra escrever aquilo. Nos quadrinhos o Danny Rand é muito mais legal.

Mas calma, vamos por partes: existem sim pontos positivos e vou enumerá-los antes por motivos de que eles estão em menor número com relação aos negativos. O maior deles é Colleen Wing (badass bitch). Mulher foda é outra coisa. Metade da nota que eu dei pra série é por causa dela – interpretada pela ótima Jessica Henwick. Quem está muito bem também em seu papel é Wai Ching Ho, que interpreta a assustadora Madame Gao. As referências às séries do Demolidor, Jéssica Jones e Luke Cage são ótimas e dão um toque divertido à história (apesar do excessivo uso da personagem Claire Temple).

Beleza? Vamos pros negativos então: Danny Rand é chato (lembrando que estou falando da série, não das HQs). É chorão, inocente ao ponto de ser idiota, lerdo, pitizento e confia em todo mundo. Deixa eu repetir: em T-O-D-O M-U-N-D-O. Sabe aquela pessoa que parece um vilão? Ele vai confiar nela. Sabe aquela pessoa que a gente e ele sabemos que não presta? Ele vai confiar nela. Sabe aquela pessoa que aparece em Demolidor sendo um vilão e faz parte de uma organização criminosa que o Punho de Ferro jurou combater e destruir? Ele. Vai. Confiar. Nela. Então, eu parto do pressuposto de que se os roteiristas subestimam a inteligência do espectador a ponto de não se esforçar para fazer sua história ter sentido, eles não merecem elogios. É o caso.

Algo que me incomodou também é que Danny Rand passou 15 anos num monastério lutando pra ficar fodão e meditando para conseguir concentrar seu chi e criar o golpe do Punho de Ferro (fãs xiitas, me corrijam se eu estiver errado), né? São 15 anos meditando. E em 15 anos de meditação ele ainda não conseguiu superar a morte dos pais dele? Não quero aqui tirar o peso do trauma de um garoto que estava num acidente de avião e viu os pais morrerem, mas são 15 anos, gente. Na série ele tem 25, o que significa que ele passou mais tempo de vida sem os pais do que com eles. Em um monastério, meditando. E mesmo assim, ele tem lembranças chocantes e pesadas sobre o incidente que o deixam paralisado. Mesmo que ele tenha pensado nisso nos últimos 15 anos. Tipo, sabe? É o tipo de coisa que não tem como fingir que não viu. É muito óbvio que os roteiristas estão te subestimando enquanto você tá vendo a série. Sem falar no trabalhinho sem vergonha desses monges que ensinaram o Danny Rand a meditar.

Vi uma crítica sobre o motivo que o Punho de Ferro não é tão bom: porque a série não tem motivo pra existir. Por exemplo Luke Cage fala muito de racismo e do tratamento que os negros têm nos EUA, isso em uma época em que o movimento #blacklivesmatter estava super em alta.  Jéssica Jones é escancaradamente sobre estupro e relacionamentos abusivos, sem falar em traumas de quem sobreviveu a coisas do tipo – um tópico que precisa ser mais abordado e colocado sob os holofotes. E até mesmo o Demolidor pode ser lido como uma baita crítica à violência desmedida, com dilemas morais, limites etc. E quanto ao Punho de Ferro, é uma série sobre kung fu. Kung fu. E o herdeiro que perdeu os pais e o dinheiro (buhuuu get over it #firstworldproblems). Não sei se concordo muito com isso, afinal nem tudo precisa de uma motivação super profunda (embora elas enriqueçam a história e a deixem mais profunda). Às vezes pode ser apenas entretenimento mesmo. Mas aí é que está, Punho de ferro entrega ao menos isso?

Eu, particularmente, só consegui ficar irritado assistindo. Algumas cenas de luta são ótimas, ok, concordo. Mas outras têm o desleixo de uma dança coreografada à perfeição, tão certinhas que ficam falsas – quebrando a suspensão de descrença. ~Suspiro~

Agora, se você acha que consegue suportar os pitizinhos do Danny sobre porque alguém (que obviamente é um vilão) está mentindo pra ele, ou o mesmo flashback sobre a morte dos pais repetido à exaustão com um efeitinho de tela tremendo, ou ele acreditando piamente no que qualquer desconhecido fala pra ele e sendo enganado, ou nas vezes em que ele “explode” porque ficou irritadinho, ou nas vezes em que a lógica não se aplica mais à história por motivos não explicados… se você acha que consegue aguentar esses pequenos detalhes, então te digo: vá em frente e veja o Punho de Ferro, agora na Netflix.

(mentira, não é tão ruim quanto eu fiz parecer, mas não vá esperando nada de bom!)

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