A infância, assim como a literatura, é uma época de fantasia. E a fantasia, como bem sabemos, pode ser cheia de bolinhos de limão, espadas brilhantes, cavaleiros galantes, sorrisos de donzelas e cavalgadas rumo ao pôr do sol… e, mais comumente, também pode ser guerra, caos, membros decepados, espadas ensanguentadas, assassinos silenciosos e morte. E, às vezes, se temos sorte, podemos encontrar uma fantasia que nos dá um equilíbrio entre essas duas versões tão diferentes. Caso você esteja se perguntando se o livro Sete Minutos Depois da Meia-Noite de Patrick Ness é um desses casos de equilíbrio, pode tirar o cavalinho da chuva porque não, não é. Só a parte tensa mesmo, então prepare-se.

Nesse livro de 150 páginas acompanhamos Conor – um menino de 13 anos que vem passando por maus bocados porque sua mãe está com câncer. Com o pai morando na América, e ele e a mãe no Reino Unido, o garoto é o único que pode ajudá-la a passar pelos horríveis tratamentos que, sabemos bem, não são nada agradáveis e muitas vezes fazem com que a situação fique ainda pior.

Com inúmeros tratamentos não chegando ao resultado esperado e o estado de saúde de sua mãe piorando a cada dia, o garoto acaba tendo que lidar com a avó, de quem não é muito fã e com algo muito pior: a realidade da situação que está vivendo e o que ele próprio tem pela frente. Coincidentemente é nesse momento que Conor acaba por “chamar” um monstro – uma criatura ancestral de sabedoria e maldade infinitas, feita de puro instinto e raiva, que se aproxima do garoto para lhe contar três histórias que mudarão sua vida.

Obviamente que a simbologia de um monstro incontrolável feito de raiva não passa despercebida. E esse meio que é o ponto. Em Sete Minutos Depois da Meia-Noite não há segredos sobre o futuro, o leitor sabe o que está havendo e como a história vai acabar. E Conor também sabe. Em nenhum momento isso é um segredo. E esse é  o ponto: o que a mente de um garoto, praticamente uma criança, faz ao se deparar com a realidade fria e cruel? Sem escapatória, sem desvios, sem enganações. O que a sua faria se fosse você no lugar dele?

Ou, por outro lado, talvez essa seja mesmo uma história de fantasia em que um monstro mais antigo que a própria Terra resolve atender ao chamado de um garoto cuja mãe está morrendo para lhe contar três histórias que mudarão sua vida. De um jeito ou de outro, as histórias serão contadas. Conor irá ouví-las e, depois, ele mesmo irá contar uma história ao monstro. Esse era o acordo.

E você, vai parar para ouvir uma história também? Talvez elas também mudem a sua vida.

About The Author

Guilherme Aleixo é um nerd de carteirinha, viciado em seriados e livros e jornalista por formação. Com 27 anos, já trabalha na blogosfera há pelo menos doze, revezando-se entre blogs, páginas, comunidades (no extinto Orkut) e até mesmo um pouco pelo mundo real. É um prazer, e a gente se vê por aí (ou não).

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