Quando falamos de mitologia greco-romana, sempre pensamos logo nos deuses olimpianos: Zeus/Júpiter, Poseidon/Netuno, Atena/Minerva, Hera/Juno, Ares/Marte, Artemis/Diana, Apolo/Febo, Hefesto/Vulcano, Dionísio/Baco, Hermes/Mercúrio, Hades/Plutão, Deméter/Ceres, Héstia/Vesta e Afrodite/Vênus. A gente também lembra dos titãs, claro. No ano passado, tive um surto de apreciação por literatura infanto-juvenil e li as duas sagas de Percy Jackson, e percebi o quão pouco a literatura explora as divindades mitológicas. Mitologia greco-romana é um assunto muito interessante, muito mais amplo do que se fala comercialmente, e faz parte do nosso cotidiano de maneiras diversas: o horóscopo do Personare, expressões como “carregar o mundo nas costas” ou “bancar o cupido”.

Tendo isso em mente, pensei aqui com meus botões: “mitologia greco-romana é um negócio tão legal! Por que a gente não fala sobre isso no blog? ”. Mas de nada adianta continuar falando sobre os mesmos protagonistas de todas as grandes histórias do cinema e literatura, né? Você sabe quem é Zeus. Você já conhece a capacidade destrutiva da ira de Ares. Tudo isso você já conhece. Mas e quanto aos outros deuses e divindades?

Para esse artigo, escolhi um ser mitológico que está bastante presente na literatura, mas que merece um pouquinho mais de atenção. Ele é sempre o coadjuvante, o mentor, o curandeiro. Estamos falando de Quíron, o centauro.

Quíron ensinando Aquiles peladão.

Quíron ensinando Aquiles peladão.

Quíron possui destaque entre os centauros não apenas pela sua sabedoria, mas também por ter um status divino. Ao contrário dos outros centauros, que eram como os sátiros, um tanto quanto boêmios, ele era inteligente, bondoso, civilizado e tinha muito conhecimento e habilidade em medicina.

Origem e História

O mito diz que Quíron foi criado por Cronos/Saturno, que assumiu a forma de cavalo para se esconder de Reia, sua esposa, e engravidou a ninfa Filira. Assim, ele tem uma linhagem diferente dos outros centauros, cujo mito a gente pode falar mais pra frente.

Quíron foi abandonado, porque a gente sabe que Cronos não é um pai muito confiável, né? Mas Apolo o encontrou e o criou como pai adotivo, e o ensinou tudo o que sabia: arte, música, filosofia, ciência, terapias curativas, artes divinatórias, profecias. Com isso, Quíron se tornou um grande curandeiro, filósofo, astrólogo e um oráculo muito respeitado. Ele se casou com uma ninfa chamada Cariclo, e teve três filhas: Hipe, Endeis e Ocírroe. Ele era um tutor reverenciado, e foi mentor de muitos heróis como Asclépio, Aristeu, Ajax, Enéas, Actéon, Ceneu, Teseu, Aquiles, Jasão, Peleu, Télamon, Héracles, Oileu, Fênix, e por aí vai.

Quíron foi atingido acidentalmente por uma flecha de Héracles durante um de seus conflitos contra os outros centauros, ou na ocasião da visita do herói a Folo, não se sabe ao certo. A flecha, embebida no veneno da Hidra de Lerna, produzia feridas incuráveis, e o centauro sofria dores horríveis, que nem seus conhecimentos médicos eram capazes de curar. Desesperado, Quíron renunciou então à sua imortalidade, conseguiu morrer e escapou do terrível sofrimento. Zeus colocou-o, então, entre as constelações (Sagittarius).

Quíron era um cara legal e inteligente, e teve um papel muito importante da formação dos maiores heróis da mitologia greco-romana. Ele está presente em muitas obras da literatura, e o mito nem sempre é apresentado corretamente, dando a entender apenas que ele é um centauro sabichão. E não é.

Bom, queridos, por hoje é só. Estaremos de volta em breve com mais um mito pra discorrer.

Um beijo da tia.

 

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