Depois de alguma espera e trailers que chamaram bastante minha atenção, dia 07 de Março consegui colocar minhas patinhas no mais novo lançamento da Ubisoft, Ghost Recon Wildlands.

Assim como alguns outros jogos da Ubi, a franquia de espionagem é baseada nas obras do famoso autor de livros Tom Clancy, responsável por obras que são verdadeiras bíblias do gênero de espionagem, como Caçada ao Outubro Vermelho e Rainbow Six (sim, era livro muito antes de ser jogo).

Em Ghost Recon, temos o famoso “jogo de mundo aberto”. A Ubisoft vem fazendo jogos nesse estilo há algum tempo e a cada lançamento podemos perceber a melhora da jogabilidade e dos desafios de cada uma das suas franquias. Como todo jogo nesse estilo, as decisões de como abordar o problema são do jogador, bem como as consequências de agir impulsivamente. Você pode, claro, tentar “Rambonizar” a missão e chegar arrepiando TUDO no caminho, ou pode levar horas para ir limpando o caminho evitando a detecção. Mas nesse jogo, sem planejamento, posso apostar que na maioria das vezes, você vai dançar.

Visual

O visual do jogo está bem realista. Assim como The Division, os cenários são super bem detalhados. Considerando a variedade na vegetação e o contraste com as áreas urbanas, podemos considerar que esse quesito foi um acerto da Ubisoft em cheio. Não encontrei texturas zoadas ou coisas que parecesse fora de lugar até agora durante a minha jornada. Em alguns momentos é difícil inclusive não se perder olhando os detalhes, durante as incontáveis horas de vigilância, binóculos e drones, para ter a certeza antes de dar o próximo passo. Em alguns momentos, parece que você está mesmo dentro de uma favela, progredindo entre becos e no outro numa missão na mata fechada.

Dois pontos chamaram bastante a minha atenção: As cutscenes que apresentam a história e os alvos principais, os generais do Cartel Santa Blanca e gostei também da parte de customização do personagem, bastante variada.

O que me incomodou um pouco, mas aí é completamente pessoal, foi o Character design de alguns personagens, que pra mim parecem muito caricatos e pouco realistas, pra um jogo que quer focar na realidade, me pareceu um pouco de contra senso, mas nada que atrapalhe, é só uma percepção minha.

Jogabilidade

Planejamento é a palavra de ordem nesse jogo. Você vai passar muito tempo agachado, escondido, até mesmo deitado e rastejando no meio do mato alto. Sem planejamento, você vai dançar nesse jogo. É bem fácil morrer, então essa etapa de marcar alvos com o drone, pensar antes de agir é extremamente necessária. Outro ponto positivo é a imprevisibilidade dos oponentes. Com uma AI bem refinadinha, eles raramente repetem sempre a mesma rota, o que pode ser um problema se você for pego. Esses combates me atrapalharam muito, por que as vezes um tiro errado que você deu, alerta os traficantes, que chamam reforços, e aí já viu né?

Além do visual, o cenário é quase um personagem do jogo. Existem MUITOS pontos a se visitar no mapa, tudo muito bem amarrado com a história. Existem vários lugares em que você vai ter que entrar e se arriscar, muito conteúdo para ver e ler, se você quiser cumprir todos os objetivos do jogo. Eu sinceramente acho que nunca tinha visto um mapa com tantos objetivos. Eu estou tentando cumprir todos os pontos de interesse de uma área antes de seguir adiante e é bem trabalhoso. Mas nada disso é maçante, pelo contrário. Isso dá uma sensação de investigação constante e ajuda na imersão da história. Você vai cumprindo objetivos e não se sente entediado, mesmo com as missões secundárias sendo bem repetitivas.

Aliás, o jogo não seria perfeito, claro. Apesar da variedade de veículos, a jogabilidade dentro deles é bem fraca. todos parecem iguais em termos de jogo, diferenciando só a aparência, e eu senti um pouco de dificuldade ao pilotar pelas estradinhas da Bolívia, até descobrir que era ok cortar o caminho, o carro dava conta na boa. Quando precisei foi só sair rampando por cima da vegetação, pedras e tal que dava pra dar um jeito. Outro ponto que me incomodou bastante são as pessoas. Se a AI dos inimigos está boa, o mesmo não podemos dizer da população em geral, totalmente passiva, só tá ali como parte do cenário mesmo e isso é um pouco decepcionante. Inclusive pode ficar tranquilo se por acaso você acertar um transeunte. Não se tornando um genocida de bolivianos, não tem nenhuma punição.

Som

O som ambiente não me incomodou, nem se destacou. Eu não sou um especialista em som, mas acho que está tudo Ok. O jogo não tem exatamente uma trilha sonora, a menos que você passe perto de um rádio, ou ligue o som do carro. Já os diálogos são MUITO repetitivos. Mesmo o dos Ghosts no intercomunicador. Não aguento mais a história do general e do pau grande que ficou no Iraque. Então a minha reação automática é entrar em qualquer veículo e desligar o rádio. Eu preferi testar o jogo com o áudio em português. A dublagem está ok, mas os bolivianos deveriam falar espanhol o tempo todo né? Locutores de rádio boliviano falando português (eu imagino que em inglês deva ser assim também) dá uma zoada na ambientação, nada que atrapalhe, mas o capeta está nos detalhes. É o que dizem não?

Replay

Cenário bem realista, horas e horas de planejamento, observação e movimentação tática, boa variedade de armas e uma main quest com toques de investigação e espionagem, além de um mapa boçalmente gigante e vários objetivos garantem tranquilamente horas e horas de diversão. Mesmo que você vá só nas missões principais, ainda sim será divertido. Ao contrário de The Division, o jogo coloca 3 bots para completar o seu time, caso você não tenha nenhum amigo online na hora, mas eu recomendo que se você vai jogar com amigos, melhor ter o time com 4 Ghosts completo. Algumas missões podem ser bem complicadas de se executar em apenas duas ou três pessoas. E claro que jogando online e conversando entre si, algumas missões também ficam mais fáceis e certamente mais divertidas.

Controles

Aqui nada de muito a favor, nem muito contra. O controle segue o layout padrão de jogos desse tipo e quem tá acostumado com The Division por exemplo, vai se sentir em casa. Achei bem legal a parte de compensar a trajetória em tiros de longa distância, inclusive errei vários até acostumar, mas acho que alguns comandos ficam um pouco escondidos para quem não está acostumado, principalmente nas opções de armas. Algumas trocas rápidas entre disparos com o fuzil ou o lançador de granadas embutido podem confundir, por exemplo.

Os veículos são legais de se dirigir, se você considerar aquele probleminha que eu destaquei na jogabilidade. Tenho preferido usar o Helicóptero, mas é preciso se acostumar bem com qualquer veículo antes de tentar alguma peripécia.

Veredito Final

Dos últimos jogos que a Ubisoft lançou, Ghost Recon Wildlands é um dos melhores que eu joguei. A princípio ele repete várias mecânicas de outros jogos da Ubi, mas nesse jogo tudo acabou ficando bem tematizado, seja pelas investigações, seja pela história. Apesar de um pouco genérica e ter dado polêmica com o governo da Bolívia, eu acho que vale a pena dar uma conferida. O jogo é extremamente divertido e vai garantir a sua diversão por várias horas. Inclusive eu estou aqui, escrevendo o review, mas já pensando em chegar em casa pra fazer mais uns corres pela Bolívia.

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