Já se vão 17 anos da estréia do filme que deu o pontapé inicial nessa onda de bons filmes de heróis, X-Men. A equipe de mutantes da Marvel trouxe questões relevantes e ainda atuais, como racismo e preconceito, também mostrou um salto na evolução dos efeitos visuais, provando ser possível contar um novo tipo de história. E foi nesse filme que nós vimos em carne, osso e adamantium um dos personagens mais queridos dos quadrinhos. O Wolverine.

O filme dirigido por Brian Synger abriu as portas para adaptações de quadrinhos bem feitas no cinema. Só de X-Men, foram oito sequências, algumas boas, outras nem tanto. Mas o personagem, aliado ao carisma do australiano Hugh Jackman, foi criando mais e mais espaço para o mutante canadense e a simpatia do público levou consequentemente ao filme solo do carcaju, o fraquíssimo X-Men Origens: Wolverine. Uma das piores adaptações de quadrinhos da história do cinema, gerou uma sequência, baseada em um grande arco do personagem nos gibis e um pouco mais divertido que seu antecessor, Wolverine – Imortal.

Até então o Wolverine solo nos cinemas era de certa forma uma decepção. Um personagem como o Wolverine é um problema em um filme que tem que ser censura 14 anos, por que o mutante tem 6 katanas entre os dedos, basicamente. Desassociar Wolverine de violência, vai dar merda na maioria dos casos. E até então nunca havíamos visto nas telonas o Wolverine em todo o seu potencial, peludo, violento, feroz. Sempre faltava isso nos filmes, que é a essência do personagem e incomodava os fãs.

 

Mas pode ficar tranquilo fã. Logan colocou um fim a isso.

Com uma mistura de algumas sagas do mutante, o filme traz um mundo pós apocalíptico, onde a população da Terra foi drasticamente reduzida e os X-Men sumiram da face da terra. Logan (Hugh Jackman) largou a vida de aventuras, velho e cansado e com o fator de cura diminuindo. Ele passa a maior parte do tempo bêbado ou trabalhando como motorista, além de ter que cuidar do Professor Xavier (Patrick Stewart), que está doente e meio matusquela, mas que ele ainda mantém escondido.

Após a desconhecida Gabriela (Elizabeth Rodriguez) pedir que Logan dirija uma jovem garota chamada Laura (Dafne Keen) para a fronteira canadense. Relutante, Logan é confrontado pelo mercenário, Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina, A garota possui uma grande destreza em luta e em muitas maneiras lembra muito o Wolverine dos tempos áureos. Ela é seguida por figuras sinistras trabalhando para uma poderosa corporação iniciando uma perseguição implacável, forçado Logan a se perguntar se ele pode ou mesmo quer usar o restantes de seus poderes para uma ultima missão.

Apesar de ser vítima do confuso e bagunçado universo da franquia X-Men no cinema, poderia facilmente ser uma história isolada da cronologia. O tom é completamente diferente dos filmes anteriores e Hugh Jackman e Patrick Stewart estão muito intensos em seus papéis, entregues como nunca a eles. Logan cansado, marcado pelas cicatrizes da vida e o peso das escolhas do passado e o segundo um frágil Charles Xavier, muito longe daquele sábio líder mutante, debilitado pelo Alzheimer, mas ainda tendo lucidez suficiente para guiar os personagens com sabedoria. E a grande supresa fica por conta da jovem Dafne Keen, tão feroz, rápida e letal quanto o Wolverine no ápice da sua forma, sem dizer uma palavra por boa parte do filme. Uma atuação convincente e um talento incrível.

O Diretor, James Mangold, conseguiu construir uma narrativa muito bem desenvolvida, trazendo novas facetas a personagens bem conhecidos. Diálogos bem construídos e referências com significado, não apenas para os famosos Fan Services. Uma história bem amarrada, com grande carga dramática. Um filme bem mais humano do que super.

Esse é mais um exemplo de como filmes do gênero de super-heróis são capazes de contar histórias emocionantes, quando se arriscam a se aproximar da característica original do personagem, livres de fórmulas (e produtores de Hollywood) que já estão bem batidas. Wolverine, ou Logan veio em boa hora e resta para nós torcer para que seja um marco que leve a grandes mudanças na indústria do cinema, assim como foi de muitas maneiras X-Men em 2000, quebrando paradigmas e mudando conceitos sobre esse gênero, encorajando outros estúdios a arriscar mais e sair do lugar comum.

Deixe uma resposta