Essa onda de filme de super herói das grandes franquias já tem bem uns 15 anos e, por mais que os estúdios tentem criar coisas novas, com tantos arcos, tantos universos, tantas expansões, é difícil não cair na mesmice.

Por causa disso, existem vários elementos que tem uma única serventia: esfregar na sua cara que você está assistindo a um filme de super herói, caso você por um incrível acaso do destino queria assistir o novo filme do Carrossel, mas acabou entrando na sala errada. Esses elementos vão desde os mais inofensivos, como a famigerada capa e a máscara, até os mais irritantes, como o Stan Lee aparecendo em todo santo filme. A intenção dessa lista é simples: queremos alertar sobre os perigos dos clichês de filmes de super herói para que esse gênero não se torne escravo de si mesmo. Se os filmes continuarem tomando esse caminho, eles vão ficar chatos, e tudo o que um filme de super herói não pode ser é chato. Precisamos de originalidade, pra que a gente não diferencie um filme do outro só por causa da cor e do símbolo no uniforme do protagonista. Precisamos de mais gente como a Edna, que olhe pro super herói e tenha a audácia de dizer: SEM CAPA!

 

1. Piadas sobre apólices de seguro quando uma propriedade, cidade, estado, país, ou planeta é destruído

Visto em: The Incredible Hulk, Iron Man 3, Avengers: Age Of Ultron

A cena é comum. A galera chega, faz uma zona, destrói a cidade inteira, bota fogo. O Hulk escala os prédios abrindo crateras nas laterais de todos eles. Uma família de chineses está comendo noodles enquanto o Spider Man passa pela janela fazendo uma acrobacia. O Batman pula de um prédio, que explode atrás dele. Beleza, cara. A gente sabe: pra proteger a Terra do mal a gente tem que quebrar alguns prédios, isso é senso comum. Não precisa da piada. Corta a cena, continua o filme. Mas, heróis, vocês podiam ser um pouquinho mais cuidadosos, né? Eu acharia muito chato se algum babaca quebrasse minha janela e estragasse minhas violetas.

2. “Você não pode matar uma ideia” e outras variantes.

Visto em: Batman Begins, V For Vendetta, Spider-Man

Isso é todo o plot de V for Vendetta, onde o V representa a liberdade e insurreição, e só isso bastaria. Mas isso também esteve muito presente na trilogia Batman do Nolan, em que o Batman representa a justiça e a verdade.  E aí teve o filme do Spider Man pós 11/09, onde o menino-aranha representava a força de vontade do povo americano. Ok, a gente entendeu. Não dá pra matar uma ideia. O conceito em si é incrível, mas isso tá começando a ficar meio batido. Nem todo herói é uma metáfora.   Tudo o que é demais, acaba ficando ruim. E todo esse negócio de querer relacionar demais o herói com o espectador, mostrando que ele também tem momentos “tô down, não tô afim hoje não”, acaba ficando forçado quando é feito o tempo todo.

3. Mimimi, meus pais morreram, *cry*

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Visto em: Spider-Man, Batman, Superman

Sim, é uma história triste. Mas cara, beleza, pessoas morrem. E eu acho que já chega de super heróis que são super heróis porque são órfãos, sabe? Existem outras motivações para salvar o mundo que não a vingança pela morte dos pais, ou pela morte da pessoa amada, pela morte do amigo! Agora imagina que coisa incrível: um herói que resolve salvar o mundo porque… TCHARÃN… O MUNDO TÁ EM PERIGO! Imagina que curioso seria uma pessoa salvar o mundo só porque é a coisa certa? Menos heróis órfãos, mais heróis fodas.

4. Ameaças e celebrações ao sonho americano

Visto em: Captain America: The Winter Soldier, Spider-Man, Spider-Man 2

Qualquer filme de Hollywood serve para apenas uma coisa: mostrar como a América é uma terra maravilhosa, cheia de liberdade, águias majestosas, sistemas que funcionam, tecnologias, jetpacks, astronautas, cientistas, lutadores, pais de família que não descansarão enquanto não salvarem o dia para que seus filhos durmam num país seguro e livre. Certo, o sonho americano é o sonho de muita gente, mas isso não quer dizer que tudo gire em torno disso. Hora de inovar, galera.

5. O “Nós não somos tão diferentes” vindo do vilão

Visto em: Dark Knight trilogy

A trilogia Batman do Nolan fez isso até cansar com o Coringa, e de repente isso virou aquela cerejinha no topo do bolo dos filmes de herói. Avengers quaaaase conseguiu passar sem isso, chegou muito perto com aquela cena em que o Tony Stark diz que “And Loki, he’s a full-tilt diva, he wants flowers, he wants parades, he wants a monument built to the sky with his name plastered… Son of a bitch”. Também chega dessa metáfora da máscara do vilão e da máscara que todos usamos todos os dias em situações sociais, mimimi, bububu. Se Austin Powers já fez isso, então tá na hora de pensar de novo.

6. Vilões que são exatamente como o herói mas com uma armadura de outra cor

Visto em: Ant-Man, Iron Man, Iron Man 2, The Incredible Hulk, Spider-Man 3, Man Of Steel

Isso é mais irritante do que o “nós não somos tão diferentes”, porque nesse caso eles são iguais, só que um é bom e o outro é mau. E o que isso significa para o filme? Batalhas intermináveis, porque os dois têm os mesmos poderes, pensam igual, e provavelmente estão indo atrás do mesmo rabo de saia. Por favor, né?

7. Tudo é culpa dos nazistas

Visto em: Captain America, Man Of Steel, V For Vendetta, The Avengers

Tirando os mais óbvios – como X-Men, que é sobre nazismo e pureza de raça, e a HYDRA do Capitão América que é super nazista from hell with lasers –, não precisa botar um discurso nazista na boca de todos os vilões que passam pelo filme. Os ideais do General Zod são tão nazistas quanto é possível em Man of Steel, V for Vendetta se passa em um estado que é o mais nazista possível, Loki quer se tornar um ditador megalomaníaco. Se você achou que depois que o jovem Magneto foi separado dos pais logo na primeira cena de X-Men as pessoas esperariam um pouco mais antes de explorar todo o terror do holocausto, pense de novo. O povo de Hollywood adora botar uma pitadinha a mais de sofrimento. Se você é um roteirista e quer um super vilão de verdade, bota uma suástica e um discurso separatista. Pronto. Pra Hollywood, isso é uma vitória, mas tá na hora de isso mudar. Por favor, gente. Vamos inovar!

8. MacGuffins que não tem nenhuma importância conceitual e só existem para colocar o universo inteiro em perigo

Visto em: Todo o Marvel Cinematic Universe

Um MacGuffin é uma narrativa que Hitchcock nomeou: é aquela narrativa que motiva o protagonista ou o antagonista e leva a ação a acontecer no filme. Pode ser qualquer coisa: um anel que alguém jogou no oceano, os desenhos de uma arma importantíssima e muito perigosa, não importa. É por causa disso que o herói sai de casa e vai salvar o mundo. Até aí, tudo bem. A ação precisa acontecer. O problema é que isso precisa ser feito com cuidado, ou tudo caminha pra um roteiro preguiçoso. Se você coloca uma ameaça à existência da raça humana sem se aprofundar nisso filosoficamente, você não está trazendo nada de fantástico. Por exemplo, se você olhar pra X-Men: é uma batalha de ideologias sobre culturas e raças e, também, sobre uma disputa entre duas pessoas que costumavam ser amigas. É compreensível que nem sempre você consegue colocar tudo o que está nos quadrinhos na tela, mas ainda assim você precisa aprofundar o roteiro nas motivações dos personagens, mesmo que um pouquinho. Senão beleza, roubaram vários planos de armas. Que armas? Que tecnologias? Daonde que veio tudo isso? De repente eu podia estar vendo um filme do Jason Statham que não teria diferença: não teria roteiro, mas teria explosões, lutas e, de quebra, o Jason Statham sem camisa.

 

E você, quais outros clichês de filme de herói você gostaria que entrassem em extinção?

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Eu assisto filme ruim pra caramba, acho graça em humor nonsense e meu vídeo preferido no YouTube é o do Popeye sendo atropelado por um ciclista enquanto o fofão sobe no muro e toca a 2ª música mais triste do Linkin Park. Odiei. Nota 10.

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One Response

  1. Ana

    Amei a lista. Estou cansada dos filmes hollywoodianos como um todo, principalmente por causa de cliches recorrente nos filmes de todos os tipos… o que mais me irrita é o 4, sem dúvida. Os Estados Unidos é idolatrado nesses filmes, a bandeira sempre aparece, o herói parece vive em um universo filosoficamente mequineísta onde protagoniza uma luta simplista entre o bem (os Estados Unidos e o sonho estadunidense) e o mal (os inimigos do que os EUA dizem representar). Isso para mim é totalmente ridículo e de um caráter altamente imperialista e alienante.

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