[SPOILERS À FRENTE. VOCÊ FOI AVISADO]

Bom, no momento em que eu faço esse post, um monte (mesmo) de gente já assistiu a Star Wars: O Despertar da Força, incluindo o pessoal aqui do ProcrastiNATION. E assim, passado o meu choque inicial com o filme, a gente começa a pensar em algumas ligações com as trilogias anteriores e também é inevitável pensar que o filme está populado com implicações do que vem à seguir, afinal esse é o 1º ato do arco.

De qualquer maneira, existem assuntos que eu vou abordar que não tem como se eu não der spoilers. Então se você ainda não viu Star Wars: O Despertar da Força, pare AGORA.

Tá aí ainda? Boa. Tem muita coisa escondida em O Despertar da Força e eu vou tentar falar um pouco sobre tudo que eu notei, já que eu só vi uma vez (pelo menos, por enquanto).

Sério mesmo, alerta DEFCON 4 pra Spoilers. Se você não viu, vai ver outros posts, ou a nossa cobertura sobre a CCXP 2015.

Diversidade

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Uma das coisas mais escancaradas para qualquer um é o quanto O Despertar da Força é diverso. Não em termos de aliens (que também aumentou) mas em termos de humanos.

Goste você ou não, na trilogia original e boa parte do elenco das prequels o elenco era predominantemente branco (e sim, eu entendo que é um produto da época), mas é legal ver que os tempos mudaram e a equipe de produção se atentou a isso, colocando mais mulheres e atores de todas as etnias possíveis no filme, seja lá qual for a posição, sejam eles cidadãos da galáxia, soldados, pilotos, Stormtroopers e sem esquecer do elenco principal. Não é como se fosse uma parada imposta, só pra preencher cotas, na real é bem ao contrário inclusive. É natural no mundo real e é assim que deveria ser, não só nesse filme, como em todos.

Por outro lado, é interessante notar que a Primeira Ordem herdou esse estigma de ser xenofóbico do Império – Finn não tinha idéia de como um Wookie se pareceria, por exemplo.

Lor San Tekka

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O personagem interpretado por Max Von Sydow, que em alguns boatos era o velho Boba Fett, mas na verdade não tinha nada disso, é na verdade Lor San Tekka, que aparece só na sequência inicial do filme e cai vítima da ira de Kylo Ren, tornando improvável que sua história seja explorada nas sequências. Mas no texto de entrada, é dito que ele era um aliado importante para a Resistência.

Será que a gente vai descobrir quem é Lor San Tekka algum dia? O Livro Star Wars: The Force Awakens Visual Dictionary o estabelece como um membro da Igreja da Força, uma organização dedicada a reconstruir a Ordem Jedi, mas não aparece no filme. Fica aí a dúvida se o personagem vai ser explorado em algum momento, material do universo expandido ou até mesmo em flashbacks.

Por falar em flashbacks

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Esse não é um recurso conhecido por ser utilizado em Star Wars, a menos que você queira considerar as prequels como um grande flashback (ou pesadelo). Mas tem um monte de vazios e pontas soltas nesses 32 anos entre o Retorno de Jedi e O Despertar da Força. Talvez alguma coisa seja explorada em algum dos Anthology, a serem lançados nos próximos anos, como Rogue One, mas tem um monte de buracos na trama da nova trilogia que precisam ser explicados.

Por exemplo, como é essa relação entre a República, a Resistência e a Primeira Ordem? À primeira vista, parece que a galáxia está dividida entre a República e a Primeira Ordem, com a Resistência operando em território inimigo. Algumas pistas dessa relação e da nova República, vem do livro Marcas da Guerra, da Editora Aleph. Mas está claro que o cenário político está bem mais complicado do que Império vs. Aliança Rebelde, que eu acho que precisa ser explorado.

Além do mais, o que raios aconteceu com a Academia Jedi do Luke? Como Kylo Ren se virou contra ele e virou outros contra o velho mestre, aparentemente? Quem são e o que diabos significam os Cavaleiros de Ren? Será que esses pontos vão ser abordados nos cinemas? Ou em material expandido?

E a trilha sonora?

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Uma das trilhas mais icônicas da história do cinema, a música de Star Wars é facilmente reconhecível. Mas para O Despertar da Força, John Williams – a lenda, não trouxe muitas músicas novas. Até dá pra entender e talvez seja uma parada tipo “em time que está ganhando, não se mexe”, mas é bem nostálgico ouvir algumas músicas e trechos familiares em cenas novas, mesmo que a Primeira Ordem não tenha (ainda) uma Marcha Imperial para chamar de sua.

A trilha é ótima, está disponível no Spotify, não me entendam mal. É só que eu pensei que talvez tivessem mais músicas e composições novas. Por outro lado talvez a nova “música da cantina” fique grudada na sua cabeça. Só talvez…

As aventuras da Nova República

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Um dos pontos que mais me deixou empolgado ao assistir O Despertar da Força, foi a maneira como o tom da trilogia original foi capturado na sua essência. Não sei se foram os efeitos práticos, mas aquele clima de filme de aventura, emocionante, foi perfeitamente capturado pelo JJ Abrams. Claro que tem seus probleminhas aqui e ali, mas nada que comprometa a diversão. Outro ponto que sempre foi uma marca de Star Wars foi justamente o humor, um pouco exagerado em alguns diálogos, mas ainda sim muito bom e alguns truques que já são assinatura de Abrams, que nem dá pra reclamar, já que esse filme tem muito da visão dele (talvez até como fã). Mas no geral é o bom e velho Star Wars que nós aprendemos a gostar e que achou o seu caminho, para continuar existindo por muitos e muitos anos.

 

O Supremo Líder Snoke

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Talvez o maior mistério até agora dessa nova saga, que TEM e IRÁ ser explorado nos próximos episódios da saga é a identidade do Supremo Líder Snoke, personagem 100% digital, interpretado por Andy Serkis ( o rei dos personagens digitais ). Em o Despertar da Força, só vemos alguns relances de sua aparência, cheio de cicatrizes e bem assustador, mas ainda sim, sua aparência distorcida aparece apenas em projeção holográfica, uma bem grande, por sinal). O que fica claro desse personagem, é que ele é o responsável pela queda de Kylo Ren e que ainda é seu mentor. Mas também é sabido que ele não é o responsável por apresentar Ren o conceito da Força.

Quem é Snoke afinal? Um sith, ao contrário de Kylo Ren? Alguma coisa nova e estranha? O Universo Expandido tem muitas tradições do lado sombrio, sendo que algumas foram direto para o selo Legends, mas outras continuam canônicas, como as Bruxas de Dathomir, provando que podem existir cultos paralelos, com objetivos semelhantes que não sejam a dicotomia Jedi/Sith.

No fim do dia sempre há a possibilidade de que Snoke seja um personagem já visto antes, embora ainda seja um pouco cedo para tentar dar esse chute.

 

Rey e Finn

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Um dos maiores mistérios dessa nova saga são as origens e as famílias de Rey e Finn. Pra quem achou que isso se resolveria durante o filme, esquece. O mistério continua firme e forte.

Finn é estabelecido como um Stormtrooper desde que se lembra. Levado de sua família e com o cérebro lavado para trabalhar para a Primeira Ordem desde que se entende por gente. Mas esse surto que resultou em se transformar em um desertor e depois em herói tem que vir de algum lugar né? Então nos deixa pensando se tem mais no personagem do que parece à primeira vista.

Já Rey, a futura Jedi e possivelmente padawan de Luke Skywalker provavelmente terá sua linhagem abordada do Episódio VIII em diante. Na real já circulam várias teorias sobre qual é o seu parentesco. Há quem diga que ela é filha de Luke, inclusive.

Uma trilogia de… Trilogias

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Não é difícil notar o tanto de semelhanças, easter eggs e referências à estrutura de O Despertar da Força. Quando Uma Nova Esperança foi lançado, em 77, havia uma intenção de continuar a saga, mas não era garantido que George Lucas teria sinal verde para os outros filmes, o que o obrigou a contar uma história completa, para caso o filme fosse um fracasso, pelo menos não ficassem pontas soltas.

O caso de O Despertar da Força é bem diferente. As pontas ficaram abertas, por que existe uma garantia de que a história seria concluída, então não tem porque fechar o filme. Tem muita coisa pra ser explicada nos próximos dois filmes, que certamente será.

 

 

Universo Expandido

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Quando o universo expandido foi descontinuado pela Lucasfilm e pela Disney, foi como se rolasse um abalo na Força, no nível da explosão de Alderaan. Mas parando pra pensar, não ia sobrar muito espaço para manobra se a Disney e a Lucasfilm realmente quisessem surpreender as pessoas. Claro que a descanonização do UE não quer dizer que alguns elementos não sobreviveriam. Alguns conceitos e idéias certamente foram e serão aproveitados.

Por exemplo, Luke Skywalker fundou uma nova Academia Jedi, que terminou em tragédia, ao invés de uma nova Ordem Jedi. Han e Leia tiveram um filho sensitivo à Força, que foi treinado por Luke e caiu para o Lado Sombrio. E ainda temos a questão do parentesco de Rey, mencionado um pouco acima. No UE, Han e Leia tiveram gêmeos (Jacen e Jaina Solo) um garoto e uma garota. Será mesmo que essa não é a razão para a família Solo ter se separado? De ter afastado Ben Solo de seus pais? Isso de certa forma já foi abordado no Universo Expandido e poderia ser reaproveitado. Esse conceito todo não é novidade em Star Wars.

Legado

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É previsível que houvesse essa sensação de legado no filme. Seja na presença dos personagens clássicos, as aparições de Leia, Han Solo e até mesmo de Luke (ainda que bem breve), ou como os novatos de alguma forma fazem lembrar dessa trindade original, até como Han Solo faz as vezes de Ben Kenobi, a atenção da produção em renovar cada um desses pontos da trilogia clássica.

No meio de tudo isso ainda temos o excelente Kylo Ren, o único (por enquanto) com uma relação direta com o elenco original. Filho de Han e Leia, treinado por Luke, Kylo Ren – Ou Ben Skywalker Solo, se você preferir – representa a subversão do elenco original, até mais do que se o próprio Luke tivesse caido para o Lado Sombrio. Kylo Ren era a nova esperança em uma nova geração, e assim como seu avô, que é muito semelhante a ele em diversos pontos, cedeu ao chamado do Lado Sombrio da Força.

Como todo bom Skywalker, Kylo Ren é perturbado, vivendo na linha de fogo desse enterno conflito entre o lado da luz e o lado sombrio. Ao contrário dos Jedi dos outros filmes, tentados pelo Lado Sombrio, Kylo Ren caiu, mas continua sendo tentado pela Luz. Então parece bem certo dizer que o arco de Ben vai ser um reflexo das jornadas de Luke e Anakin.

Por falar em Anakin, vale notar que apesar do seu sacrifício final, em o Retorno de Jedi, ele ainda é lembrado por ser um vilão, genocida. Só Luke estava presente no momento da redenção de Vader. A galáxia ainda tem a imagem do ameaçador Lorde dos Sith. Possívelmente essa será a chave para salvar seu sobrinho.

Para terminar, um vídeozinho maneiro com todos os Easter Eggs e Cameos do filme. Agora que venham as especulações e rumores sobre o Episódio VIII

 

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