Muitas pessoas dizem que quando algo não está dando certo, o melhor a se fazer é dar uma pausa, e então retomar a atividade. E foi exatamente isso que a Ubisoft fez. Desde 2009, quando saiu Assassin’s Creed II, tínhamos um Assassin’s Creed por ano. Até 2015, quando chegamos a ter DOIS jogos da franquia, com Assassin’s Creed Unity (PS4) e Assassin’s Creed Rogue (PS3).

É verdade que a franquia vinha se desgastando ano a ano, afinal, quando se lança um jogo desse porte, 1 semana depois já é preciso começar a pensar no próximo título. Até que chegamos em 2014 e tivemos a bomba chamada Assassin’s Creed Unity, que fez até com que o CEO da Ubisoft mandasse uma carta de desculpas pela cagada.

Isso com certeza fez com que as pessoas repensassem a franquia, e depois de Assassin’s Creed Syndicate, de 2015, tivemos a notícia de que não haveria um jogo principal da franquia em 2016, que tiveram lançamentos apenas dos spin-offs Assassin’s Creed Chronicles: India e Assassin’s Creed Chronicles: Russia.

Depois soubemos que em 2017 seria lançado um novo título da franquia, ambientado agora no Egito Antigo, algo que era muito pedido pelos fãs. O título, que viria a ser lançado em outubro desse ano, era muito aguardado pela comunidade, para saber se esse hiato de 2 anos fez bem ou não. Bem, vamos descobrir agora.

 

Graficos

Os gráficos de Assassin’s Creed vem evoluindo ano após ano. Mesmo nos títulos que não fizeram tanto sucesso, como Assassin’s Creed III, ou o já mencionado Assassin’s Creed: Unity, o primeiro a ser lançado para PS4 e Xbox One, a parte visual do game sempre foi um de seus pontos fortes.

Com fidelidade aos cenários e extremamente bem ambientados à época em que o jogo se passava, eu me pegava por alguns minutos apenas explorando o jogo para admirar a beleza que ali estava representada. Acho que de todos os jogos da franquia, o mais bonito que tinha visto, até então, tinha sido Assassin’s Creed IV: Black Flag. As ilhas pareciam reais, a água era linda, e as matas vivas e cheias de cor davam vida ao jogo e um grau extra de beleza.

Assassin’s Creed Origins pôde voltar a usar desses recursos. Com muito verde e muito amarelo, para representar o ouro, e os tons de areia, eu cravo aqui que esse é o jogo mais bonito da série. Sempre que posso, uso a Sanu (de quem vou falar mais pra frente) apenas para vagar por aquele mundão.

Você escala pirâmides, cai poeira. É um nível de detalhe que da até satisfação, sabe? É como eu disse antes, o jogo sempre evoluiu nesse quesito, mas eu tenho certeza que essa pausa de 2 anos foi fundamental para que o jogo atingisse esse nível.

 

Gameplay

Aqui é outro ponto que o jogo veio ficando defasado ao longo dos anos. Era sempre a mesma coisa. Escala, mata inimigo, procura missão, e se repete até o fim do jogo. Mas pera, aí você está pensando: “Ué, mas isso não mudou!”. Exato, não mudou mesmo, mas o gameplay dos outros jogos era meio “quebrado”, por falta de palavra melhor. Nunca achei tão fluído os movimentos de parkour do personagem, parecia que eu mandava o jogo executar um comando pra escalar uma pedra, ai ele fazia e tinha micro delay até entender que ele deveria escalar a próxima, e esse movimento nunca chegava perto do movimento natural de uma pessoa realizando uma escalada. E isso foi uma coisa que eu senti que estava bem diferente no jogo. O movimento de escalada e de transposição de obstáculos está bem mais natural do que os de jogos de outrora. (Gastei o português agora)

Não significa que o jogo está perfeito nesse quesito, eu ainda acho que da pra melhorar um pouco, mas eu senti uma melhora bem significativa nessa parte.

Outra coisa que vale mencionar no jogo, é o uso da Sanu. O que é a Sanu? Nos outros jogos de Assassin’s Creed, tínhamos a velha conhecida “Visão de Águia”, que nos permitia rastrear alguns inimigos. Nesse jogo, esse conceito foi levado a outro nível, onde é possível realmente assumir o controle de uma águia, de nome Sanu. Com ela você pode sobrevoar determinadas áreas e tirar proveito disso fazendo marcações nos inimigos, que é de muita ajuda quando se entra numa área restrita, ainda mais quando se trata de um jogo com uma mecânica stealth muito presente. Só estou esperando a DJI lançar o DJI Eagle :P

Muito se mudou também no quesito combate. Hoje, o jogo se assemelha muito mais com jogos de RPG, trazendo muitos elementos desse gênero. Nos outros jogos, o combate de Assassin’s Creed se reduzia a, basicamente, um comando de ataque, e um de defesa. De resto, o jogo se encarregava de fazer uma animação maneira. Inclusive, essa é a parte onde estou enfrentando mais dificuldade, justamente por ter trazido novos elementos.

O que eu gostei também, foi o fato do jogo “forçar” você a fazer as side-quests de cada cidade, para fazer a história seguir. Por conta desse motivo, o jogo faz com que a história seja arrastada demais, mas vendo de outro lado, evita com que você faça apenas as main-quests e deixe de explorar cada cidade e suas outras missões. Eu, com certeza, seria o cara que iria fazer meia-dúzia de side-quests e ir seguindo com a main-quest, mas com esse ritmo de jogo, é bom ter um motivo para fazer as outras missões.

 

Som

Em outros reviews que fiz aqui no site, muitas vezes eu disse que o som não era o quesito que eu prestava muita atenção, mas nesse eu resolvi ficar mais atento. Até porque eu queria prestar atenção na dublagem do jogo, que é um tema que eu amo, então resolvi dedicar uma atenção maior a ela. E posso dizer, baseado em 0 anos de dublagem, que está bem boa! E isso só me deixa feliz, porque podemos desfrutar de cada vez mais jogos traduzidos, dublados e localizados (eu sei que os 3 são coisas bem diferentes) no nosso idioma.

Na parte de som ambiente e efeitos de som do jogo, pra algo chamar minha atenção tem que estar muito, muito, mas muito ruim. E não é o caso desse jogo. Aliás, acho que nunca foi. E vou além dizendo que não lembro de ter visto algum jogo falhar nesse sentido. Já vi jogos terem suas dublagens criticadas (Olá, diretor de dublagem de Mortal Kombat, tudo bem?), mas não me lembro de ter jogado algo com um som que pudesse me chamar atenção, negativamente falando.

 

Controles

Com a chegada do fator RPG ao gameplay, muita coisa precisaria ser adaptada nos controles, certo? O combate raso, que se baseava apenas em apertar UM botão na hora certa, como se fosse um quick-time event para que você defendesse e contra-atacasse o inimigo. Os botões de ação da luta foram movidos dos botões QUADRADO e O, para os gatilhos e bumpers. L1 defende, R1 ataca fraco e R2 dá uma cacetada de respeito. É necessário algum tempo para que você se acostume com esse modelo novo de combate, coisa que ainda não aconteceu comigo. É incrível o quanto eu me ferro quando estou lutando nesse jogo. Talvez seja por isso que eu uso muito os recursos stealth.

Exceto pela mecânica e pelos controles de combate, a Ubisoft se aproveita muito do legado da franquia e de que os jogadores já conhecem os comandos de cor e salteado, para manter isso jogo a jogo, fazendo com que a transição seja imperceptível e que você não precise de muito esforço para se acostumar.

 

Fator Replay

É muito difícil falar de Fator Replay num jogo tão grande quanto Assassin’s Creed Origins. É um mundo aberto, uma coisa imensa, que irá consumir muitas horas da sua vida até você concluir. A não ser que você seja uma pessoa que ame o período em que ele está inserido, no caso o Egito Antigo da época de Cleópatra, não é um jogo que eu penso em jogar de novo. Mas isso não é porque o jogo é ruim, é, como eu falei, por causa do tamanho dele e do tanto de tempo que você tem que investir. É um jogo que, ao terminar, você vai ter a sensação de missão cumprida (mas pelo tamanho será mais pra missão comprida :P).

 

Resumo

O hiato entre 2015 e 2017 fez muito bem para a série Assassin’s Creed, que a olhos vistos vinha se desgastando com o passar do tempo. Até porque ninguém consegue ser genial todo ano, com uma franquia de peso como essa. É o retorno que a gente queria. Salvo algumas ressalvas, a história é boa, o personagem é legal, mas não tanto como Ezio Auditore, e a ambientação do jogo é ótima. Egito Antigo é uma das temáticas que sempre comentei com amigos meus que seria ótimo de explorar num jogo de Assassin’s Creed.

Agora, Ubisoft, vem cá: mantém um Assassin’s Creed a cada dois anos e, por favor, faz um ambientado no Japão feudal? Onde você controla um ninja com shurikens, e corre pelas paredes. Nunca te pedi nada.

 

RESUMÃO: JOGUEM ASSASSIN’S CREED ORIGINS!

ADEUS!

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